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25.05 (sex)
26.05 (sáb) 
27.05 (dom)
// sempre às 20h

GRATUITO no teatro do SESC Prainha (Centro)!

A peça, que há mais de dois anos compõe o repertório da Dearaquecia. Teatral, continua circulando. Esperamos vocês!

[Quatro figuras aparentemente desconhecidas entre si encontram-se em uma madrugada tropical. O clima inicialmente de constrangimento, estranhamente se torna provocativo e de extrema intimidade. Aqui os afetos entre os personagens não seguem um encadeamento lógico e mútuo, as relações se estabelecem a partir das particulares paixões, temores e neuroses de cada um. A sensação é de sonho e alucinação, todos agem ininterruptamente (entre vontades e arrependimentos), mas ninguém parece responder absolutamente por seus próprios atos].

Texto: a partir da peça de Marcelo Bertuccio
Atores: André Felipe, Heloisa Marina, Ligia Ferreira e Vinicius Coelho
Direção: Ana Luiza Fortes
Figurinos: Mayná Quintana
Arte Gráfica: Nestor Jr

QUANDO: 25, 26 e 27 de maio às 20h
ONDE: Teatro do SESC Prainha (Centro) – Travessa Syriaco Atherino, 100
QUANTO: zero reais (retirar ingressos no local durante a semana ou com uma hora de antecedência)

Informações: (48) 3229-2209 (SESC)
                   (48) 9144-2021 (Dearaquecia.)

Porque apesar de muitas vezes sentir que estamos perdendo nosso tempo em uma sala de teatro, continuamos nos reunindo? Talvez porque recordemos que em alguma apresentação, em alguma obra, descobrimos algo que nunca havíamos percebido nessa dimensão, simplesmente por estarmos imersos em nossa realidade cotidiana. [...] Uma realidade que acreditamos conhecer, porque todos os dias transitamos por ela com tranqüilidade e prudência. Mas é também uma realidade que nós, a humanidade, o ser humano frente à cena pode conseguir desarticular. E se quando assistimos a uma apresentação e imediatamente mil anos são interrompidos, essa alteração nos fará conhecer algo de nossa existência que colocará em dúvida não só os princípios da arte, mas também do que é “a realidade”. E é desde este espaço que agradeço e justifico a existência do teatro.

(Daniel Veronese)

O teatro quer ser repensado, relançado, retomado. Não podemos nos satisfazer com a sua letargia, nem aceitar sua extinção. Cada qual pode inventar os meios desta recuperação, que são incontáveis. (…) Ora essa abertura se choca com dois preconceitos simétricos. O primeiro desqualifica o desejo de jogo em nome de sua aridez, pretensamente pré-teatral, ligada ao divertimento de massa, e que merece um pouquinho mais de consideração do que as partidas de cartas que as pessoas jogam em casa depois do jantar. A Arte é apenas pretexto: este desejo de jogo não participa da Arte, mas dos passatempos de salão. Modo de ignorar a força de uma pulsão para a teatralidade, lúdica ou séria, que, sem dúvida animou os supostos artistas em sua infância e adolescência, às vezes até mais tarde. Negação que permite também reinvidicar para si mesmo a virtude da profissionalidade recusando-a a outras pessoas. Não pretendo, evidentemente, recusar a profissionalidade. O teatro precisa muitíssimo dela, ela deve ser respeitada dentro das mais estritas exigências técnicas e artísticas. Mas a profissionalidade secreta, sua ideologia: que atribui uma essência ao “ser ator”, (ao ser encenador, cenógrafo, músico, figurinista, iluminador), o opõe ao não-ser-ator e permite dizer: eu sou profissional. Por conta disso, o ator que tem a sorte necessária para trabalhar o ano todo se acha (naquele ano) mais essencialmente ator do que aquele que trabalha de forma intermitente, que espera, vivendo do seguro-desemprego. O primeiro reinvindica intransigentemente sua profissionalidade, desdenhando do outro, semi-profissional, que emprega seu tempo de não-atuação trabalhando como garçom num bar. E também se sente mais ator do que aquele que se resignou a só viver o teatro em seus momentos de lazer. Assim, a profissionalidade acaba por designar o que se tem, ou se pretende ter, e que falta ao intruso que aspira a ter a mesma coisa; a profissionalidade subsume sob este ter ou ser que a pessoa conserva para si e que o outro não é (porque não o tem). Enquanto que a corrente evidentemente deve ser olhada no sentido inverso: a profissionalidade deve ser pensada como um processo, sempre em movimento, que por patamares sempre instáveis, conduz do desejo de teatro mais infantil aos degraus da profissão. Ou o contrário: é bem imprudente aquele que se acha profissional para a vida toda. É preciso repensar (refazer) o teatro articulando todas as suas formas, todas as suas fases: deixando que a vida teatral, por mais profissional que seja, se alimente de todos os impulsos de teatro, até os mais obscuros.

(Denis Guénoun em O teatro é necessário?)

uma lembrança bonita de alguém que partiu:

Antigamente um bonde branco fazia o trajeto de Bayonne a Biarritz; no verão, engatava-se a ele um vagão aberto, sem teto: o vagante. Grande alegria, toda gente queria ir nele: ao longo de uma paisagem pouco carregada, gozava-se ao mesmo tempo do panorama, do movimento, do ar. Hoje, nem o vagante nem o bonde existem mais, e a viagem de Biarritz é uma chatice. Isto não é para embelezar miticamente o passado, nem para dizer a saudade de uma juventude perdida, fingindo-se de saudade de um bonde. Isto é para dizer que a arte de viver não tem história: ela não evolui: o prazer que cai, cai para sempre, insubstituível. Outros prazeres vêm, que não substituem nada. Não há progressos nos prazeres, apenas mutações.

(Roland Barthes por Roland Barthes)

Fora o cansaço da viagem, a nossa passagem relâmpago pelo Festival de  Teatro de Campo Mourão foi muito legal.

É bonito ver tanta gente empenhada pelo simples prazer de compartilhar uma peça de teatro durante 50 minutos. A recepção do espetáculo não poderia ter sido mais calorosa e o debate no final foi repleto de trocas e impressões valiosas para pensar e repensar o nosso trabalho.

Valeu a pena o esforço!

E ainda voltamos pra casa com três indicações: Melhor Espetáculo, Melhor Atriz (Heloisa) e Melhor Cenografia.

A ala feminina da dearaque tá pensando em fazer um blog em homenagem ao blog-francês-chique do Vinicius e do Nestor [http://33metrosquadrados.blogspot.com], vai se chamar: a vida num mini-carro!!!

Passamos cerca de 30h no corsinha da Helo na nossa ida ao Festival de Teatro de Campo Mourão [dica: suspeitem do GPS], e, meninos se orgulhem de nós, a gente nem brigou nem nada! Por um lado foi bom que vocês não estavam aqui, porque não ia caber no carro de jeito nenhum! Mas lá no Festival quase quiseram brigar conosco: “Sim, o grupo de vocês não tem meninos? O que vocês têm contra os homens?” Aí a gente disse que tinha sido abandonadas, mas que nos nossos corações vocês estavam lá com a gente.

E não é que tavam mesmo!?

Café-encontro com Cronópio, Fama e Esperança feito em Agosto. Os bonecos foram confeccionados pela gente nos primórdios do grupo em 2006 para um pequeno espetáculo baseado nos contos de Julio Cortázar.

Agora acontece que as tartarugas são grandes admiradoras da velocidade, como é natural./ As esperanças sabem disso e não ligam./ Os famas sabem e caçoam./ Os cronópios sabem e cada vez que encontram uma tartaruga, puxam a caixa de giz colorido e na lousa redonda da tartaruga desenham uma andorinha.

(Tartarugas e cronópios de Julio Cortázar )

Momento blog coletivo [Heloisa]:

O texto do Vinicius me encheu de alegrias, sinto vocês muito perto e sinto que o nosso trabalho é serio, um sério de criança, viu Vinicius? (Que em geral é mais sério que o sério de adulto, porque tem algo de urgência). Mas tô repleta de alegrias de sentir os dearaques que estão distantes tão perto, como se estivessem junto mesmo da gente. Viu? Isso dá força pra nós, que estamos aqui trabalhando diretamente no grupo, dá sentido e faz a gente acreditar no grupo, no teatro, e em outras formas de relação profissional. A oficina que eu e a Maria demos no Floripa Teatro foi linda, porque foi um momento de troca com as pessoas que foram lá. Além de explorarmos a história pessoal para construção de cenas, falamos de teatro, trocamos ideias, e assim vamos reforçando o sentido e a alegria de ter escolhido esse campo profissional. Acho que o Vinicius tem razão: a vontade de nunca abandonar o nosso lado criança deve mesmo estar profundamente ligada à essa escolha, de fazer teatro…

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